Saudações libertária

Rádio Armadilha ¨*¨ Música; Fibra Ótica

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Bolo bolo

Já faz tempo que quero apresentar e sugerir o livro Bolo bolo aqui no Blog, mas até pouco tempo não sabia o que dizer; achava pouco falar que é um livro inspirador, impulsionador à ação, impar em qualquer perspectiva, assim decidir falar simplesmente levem um choque, ampliem seus horizontes tenham coragem e leiam Bolo bolo de alma desarmada.

Quando li Bolo bolo achava que um livro não possuía o poder de transformar uma vida, estava enganado. Sou agradecido ao amigo “irmão” Joab Jô por me possibilitar o encontro com Bolo bolo, coisa tão emocionante e transformadora quando o próprio encontro com Jô. Por mais tortos que sejam os caminho a vida insiste em aproximar pessoas e pouco importa qual distância geográfica, quem se reconhece sabe de onde veio e pra onde vai.

Com respeito e carinho saudações a Joab Jô e aldeia.

Bolo bolo pode ser encontrado no link abaixo.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Banda REFÈNS

BANDA REFÈNS APRESENTAÇÃO


Reféns! Falar, lembrar desta banda para mim não é só gratificante e prazeroso mais também, e acima de tudo, inspirador, digo isso por que foi vendo-os tocar e cantar que percebi ser possível também me aventurar.

Quando entrei em contato com esees caras não acreditei que existiam: um sujeito que cantava sem coordenação motora, um guitarrista desengonçado (que habitava uma casa de boneco), um baterista de nome Morto e um baixista que tocava sentado e vendia sapatos, a primeira vista um desastre, a segunda vista um desastre ainda maior, até mesmo para o lado tosco do mundo underground punk, hardcore. Naquele momento não poderia imaginar que a banda Reféns se tornaria uma das experiências mais gratificantes e ricas do cenário local. Com uma deficiência técnica visível se sobressaia pela persistência, solidariedade e amizade de seus integrantes.Independente do que seus integrantes venham a fazer no futuro tenho a certeza de que levaram as experiências e vivências da banda por todas as suas vidas.

Vida longa a inspiração ao significado da banda Reféns, que cada um possa cantar e tocar, se divertir, expressar seus valores falar sobre alegrias e tristezas, amor e indignação, que a amizade rodeie a todos nós que fazemos parte deste time: time dos que acreditam que podem.

Apolo Alves, Militante libertário , Produtor audiovisual e Garçom.


Jogo da Memória

Fica o que significa. O que significou e ainda significa a banda Reféns? Se aqui nos vemos novamente a ouvir seu som, oito anos depois do fim de suas atividades, quer dizer que alguma coisa dela ainda fica, ainda significa. O lançamento do presente CD e DVD comprovam bem que a Reféns não foi uma banda de garagem que acaba quando todos os integrantes percebem que o que fazem não faz sentido; mais do que um sentido, eles viam um significado no que faziam, significado este abertamente político, escancaradamente libertário, era, por assim dizer, sua identidade. É aqui que encontramos o sentido de sua memória.

Diversas bandas hardcore que preservaram sua identidade libertária já afloraram nos meios punks de Fortaleza e, com certeza, da mesma qualidade que a destes quatro garotos movidos pelo anticapitalismo. Mas é exatamente a este sentimento comum, encontrado nas diversidades políticas de cada um dos integrantes, que não só fez germinar a união e a formação da banda, como também o senso (que todos eles tiveram quando a construíram e deram seu nome, justamente logo após uma reunião de debate político) de que, enquanto durasse, ela iria ser fundamentalmente uma “banda política”. Em outras palavras, mais do que uma forma de diversão, a Reféns era uma banda/coletivo de formação política, uma atividade de militância de pessoas que ainda vêem a arte e a vida (e a política) como inseparáveis.

Aliás, a atividade artístico-cultural desse “coletivo” não se restringia apenas à banda. Eles deram toda importância a qualquer manifestação cultural militante, sempre inspirada no “faça você mesmo”. Os zines, elaborados individual ou coletivamente, eram praticamente a extensão dos temas abordados em suas letras de música, se seus gritos não poderiam ser ouvidos nas canções, eles seriam pelo menos lidos em seus escritos; assim, vale notar a persistência do baterista Morto em escrever e publicar, como também do Dorenildo e do Átila. Semana cultural libertária, noites de apresentações artísticas abertas, como o “Dia D”, exposições, festivais de banda, recitais, vídeos, peças teatrais, tudo isso fez parte do universo Reféns.

Ouvir Reféns não significa apenas ouvir música, sentir a guitarra do Joaquim correndo ao lado dos gritos de Dorenildo, o baixo quase discreto do André e as bateria do Morto traduzindo a voz e a guitarra em forma de batidas. O disco Reféns é um manifesto político da mais alta qualidade. Em cada palavra, cada frase, nos títulos das canções, nas imagens que nos passam ao ouvi-los, no encarte, nas letras simples e didáticas. Ouça a faixa mais-valia, por exemplo, e você não ficará entediado por ter lido essa parte do Capital e não ter entendido. É esse o grande feito desta banda: fazer com que suas músicas fossem manifestos pedagógicos contra o Estado, a sociedade de classe, a arte-mercadoria, a economia da misériaReféns é uma literatura libertária transformada em gritos. Se ainda agora se pergunta o que eles significam, pare de ouvi-los um instante e vá lá fora, há milhões de reféns no mundo, isso comprova que suas palavras não são estrangeiras a esse mundo, eis o porquê desta memoração. O ato de rememorar, trazer à memória, é um ato político e, militantes persistentes como são, aqui estão novamente eles, habitando o terreno da memória, porque, enquanto existir um mundo de reféns, a Reféns permanecerá.

Sergiano A. da Silva, Historiador

O RELEASE

A banda foi formada em 1998 e desde o inicio sua postura não foi apenas musical, como seus integrantes se identificavam com a luta anticapitalista, a idéia foi de formar uma banda política que atuasse nessa luta. No começo ainda não havia um nome para a banda e sua formação era mais ou menos a seguinte: Átila-guitarra, Joaquim-guitarra, André-baixo e Dorenildo-bateria, o vocal ainda não tinha sido definido. Os instrumentos eram poucos, o Joaquim tinha uma guitarra e comprou uma bateria de segunda mão, o Átila também tinha uma guitarra e uma caixa. Esses eram os instrumentos com que a banda tentava ensaiar.

Os ensaios eram na casa do Joaquim. Depois de uns dois meses de ensaio, já no final de 98, Átila resolve sair e formar outra banda com o Morto, esse projeto também não tinha nome e sua formação era: Átila-guitarra/voz e Morto-bateria. As duas bandas passam a ensaiar juntas, na casa do Átila, mas depois de uns quatro ensaios acaba a banda de Átila e Morto. Os instrumentos voltam para a casa do Joaquim e devido alguns problemas, Joaquim, André e Dorenildo bastante tempo sem poder ensaiar, durante esse período sem ensaios, passam a se reunir aos sábados para discutir sobre política, sobre a banda e diversos assuntos. É numa dessas discussões que Morto entra na banda e sua formação muda para: Dorenildo-vocal, Joaquim-guitarra, André-baixo e Morto-bateria. É também nessas discussões que decidem o nome da banda: “Reféns”.

Individualmente os integrantes da Reféns, começam a participar de algumas atividades anticapitalistas no movimento anarco-punk, comitê zapatista, movimento anarquista, etc. Em julho de 1999 a banda volta a ensaiar, agora os instrumentos são: uma guitarra, duas caixas emprestadas, a bateria e um violão elétrico que se usava como baixo, o vocal era no grito mesmo, ainda não dava pra tocar muito bem, mas o Átila sempre acompanhava os ensaios e dava a maior força. Depois de alguns ensaios o André compra um baixo de segunda mão, o Grilo empresta dois microfones, o Grotesco empresta uma caixa de guitarra e o Alexandre uma pra usar o baixo, às vezes, o Mário também emprestava uma caixa de guitarra e o Átila também sempre cedia a caixa dele. O pessoal ajudava pra caramba. Depois a banda compra uma caixa de baixo e um microfone usado. A partir daí começam a freqüentar constantemente estúdios e melhorar seus equipamentos de ensaio.

Em 2000, a Reféns faz um ensaio aberto junto com o Zona Industrial (banda que Átila formou com Thiago, Loren e Nilton). Esse ensaio foi em um colégio no Acaracuzinho, em que o “Zona Industrial” costumava ensaiar. No final de outubro de 2000, a Reféns faz sua primeira apresentação no lançamento da demo-tape da “Grillus Sub”, nesse dia tocaram: Grillus Sub, Lesado, Reféns, Alarma, Veia Cava e Aldinho.Em 2001, a banda participa de uma atividade realizada em Caucaia com o tema: “501 anos de resistência, por uma guerra de classes”, tocaram as bandas: Grillus Sub, Ruptura, Reféns, Disgraça, Sem Nome, e um projeto que surgiu na hora. Ainda no mesmo ano, Átila, Joaquim e Dorenildo editam o zine “Política, arte e pensamentos”. Pouco tempo depois, Morto também edita um zine, chamado “União, respeito e liberdade”. Em janeiro de 2002 a banda grava dois sons em estúdio para uma coletânea beneficente ao CCS de João Pessoa (PA), mas a coletânea não saiu.

Alguns meses depois, Átila e Apolo elaboram um projeto de realizar um vídeo, sobre a Reféns, eles gravam um ensaio e parte de uma entrevista em vídeo, mas o projeto não deu muito certo e o vídeo não chegou a ser editado*. Em julho a Reféns e outros companheiros formam um grupo de estudos para ser realizado aos sábados, Participam desse grupo: Dorenildo, Morto, André, Átila, Joaquim e Cecília. No segundo sábado do grupo de estudos, Dorenildo, Átila, Joaquim e Cecília lançam o zine: “Conheça seu inimigo”. Em agosto, Morto edita o zine “União, respeito e liberdade #2”. Dias depois, a Reféns e o movimento sofrem uma grande perda, com a morte de Átila, um grande companheiro e amigo, aquém dedicamos esse trabalho. No mês de setembro a Reféns e outros indivíduos desenvolvem uma critica ao caráter nacionalista das campanhas anti-alca e é lançado o zine “União, respeito e liberdade #3” com um texto de Dorenildo e Morto, sobre esta critica.

Joaquim e Morto montam uma distro de CDs, fitas e zines chamada Adrede distro produções. Em outubro, a banda participa de uma atividade aberta para a comunidade, realizada na casa do companheiro Merk, onde teve exposição de materiais, pintura de blusas e cartazes, recital de poesias, uma peça de teatro contra as eleições e som com as bandas: ?, Biocaos, Iconoclastas, Sublime Profanação e Reféns. Em maio de 2003, Morto edita o zine: “Informação libertaria”, sobre o 1º de maio. No dia 1º de junho é realizada uma atividade na casa de Dorenildo intitulada de “Dia D”, nesse dia teve distribuição de zines, exposição de desenhos, lançamento do zine “Apopnixe”, editado por Dorenildo, amostra do filme Rola-Bosta, discussão sobre a arte, a esperança e a identidade de movimento, recital de poesias e apresentação musical acústica. Morto edita o, “União, respeito e liberdade #4”, especifico sobre esta atividade. No mesmo mês, a banda toca em um som realizado no Acaracuzinho, junto com as bandas: Tuxauas Makuxi, Biocaos, Luto, Iconoclasta e Veia Cava. Em agosto, a banda toca na gig da II Semana de cultura libertaria de Fortaleza, tocam as bandas: Cuspe, Contestação, Desnutrição, Sublime Profanação, Iconoclasta, Inácio, Ruptura e Reféns.

Em setembro, a Reféns junto com Apolo, Cecília, Mocinha e Thiago, desenvolvem aqui em Fortaleza uma crítica ao eventismo e elaboram um projeto para levar esta critica a todos os grupos junto com um zine e um filme a esse respeito. Morto edita o zine Informação Libertaria # 2 sobre o eventismo com textos de todos os envolvidos nessa critica. Dorenildo e Apolo elaboram o filme; “On-line, uma breve historia no tempo”. Contudo, o projeto não sai como o planejado e só conseguem lançar o zine.

A banda fica de lançar um CD split com “Ruptura”, mas por alguns problemas a Ruptura fica sem poder ensaiar. Em outubro de 2004, por motivos particulares, a Reféns acaba e como última atividade lança seu CD, registro dos seus quase 6 anos de existência, e deseja a todos saúde, amor e vitória!Mesmo com o fim da banda, seus integrantes continuam com sua militância na luta social.

Vídeo Clip do DVD União e Subversão.
Música Mais Valia

Outros vídeos da banda na pagina vídeos da banda Reféns .

Armadilha Produções


Armadilha Produções é uma iniciativa de cunho libertário que segue os princípios Punk NO PROFIT (não ao lucro) DIY (faça-você-mesmo), voltada para a produção de vídeos e matérias relacionados às campanhas; Não Deixe a Escola Atrapalhar Seus Estudos, Rola-Bosta e Outros olhares, Outra forma de ver o mundo. São nove anos em atividade. Contamos com a colaboração de diversos parceiros; Pedro, Macilio, Yasmim, Joaquim e outros tantos que aqui não citaremos, mas temos o mesmo carinho, ao todo dezoitos companheiros já contribuíram com a ARMADILHA PRODUÇÕES, hoje de forma, mas direta três companheiros; Apolo, Mocinha e Dorenildo seguram a produtora. Entre suas realizações estão seis zines relacionados às campanhas, dez vídeos entre os quais; Rola-Bosta o FILME, Palavras, Indústria da Morte, On-line; Uma Breve História no Tempo, o DVD da Banda REFÉNS, e o CD poesia. Sobre os projetos em andamento vale ressaltar o livro multimídia, No Mar das Circunstâncias, o DVD multimídia, História Recente do Movimento Libertária no estado do Ceará. Os vídeos “curtas”; Para além do olhar superficial que trata das transformações espaciais “urbanísticas” sofridas pela a cidade de Fortaleza no século passado, e o vídeo antes de 2014, que trata das transformações (Obras, deslocamento de comunidades e especulação imobiliária) Que a cidade começa a sofre devido a copa de 2014.
Obs: Por ventura alguém se cinta ofendido, prejudicado de alguma maneira adiando desculpas e reafirmo a dizer que os posicionamentos políticos da CAIL assim como os vídeos da Armadilha Produções NÂO tem interesses levianos de prejudicar pessoalmente mingúem, não é algo pessoal.
Armadilhas Produções Resenhas e links dos filmes

Rola-Bosta O FILME Rola Bosta,
parte 1 Link - http://www.youtube.com/watch?v=CJeRaPQCZR4
parte 2 Link - http://www.youtube.com/watch?v=OR5lKhVuPUo
Vídeo realizado em frente ao Cine São Luis na abertura do Cine Ceará. Faz uso da ironia como arma para critica. Repleto de participações especiais: Políticos profissionais, meninos de rua, artistas de diversos naipe$, nada escapa ao inseto coprófago.



História do Trabalho

link - http://www.youtube.com/watch?v=031Wph_LGaI
Retrata a ideologia do trabalho e o Sofrimento do espírito humano.







Espelho/Reflexo
Link - http://www.youtube.com/watch?v=fZb8e0SHZ4c
Vídeo inspirado em texto do escritor Eduardo Galeano.







Palavras
Link - http://www.youtube.com/watch?v=_Ov_FVTNEb4
Vídeo inspirado em texto Do escritor Eduardo Galeano..








Et´s
Link - http://www.youtube.com/watch?v=VBteS76E4ic
Vídeo realizado a partir de fotos de manifestações Anti-capitalistas.











Indústria da Morte
Link - http://www.youtube.com/watch?v=py_YUjVSlwo
Utilizando como gancho a exposição do poderio bélico e militar de confronto urbano, o vídeo indaga o que é militarismo para que serve. Conta com a participação especial do então professores Pinheiros, que nos fala sobre a retórica dos governantes a respeito de uma “policia cidadã”; hoje, vice-governador do estado, é um dos articuladores do Ronda do Quarteirão.






Não Deixe a Escola Atrapalhar Seus Estudos – O FILME –
-Parte 1, Não Deixe A EScol...
Link - http://www.youtube.com/watch?v=jVOf6j3RnxA
-Parte 2, Não Deixe A Escol...
Link - http://www.youtube.com/watch?v=ARCtAaQdRnw
Primeiro vídeo da Campanha“Não deixe a escola atrapalhar seus estudos”, um apanhado das reflexões feitas ao longo de oito anos de campanha. Uma critica consistente a escola.





Redundar
Link - http://www.youtube.com/watch?v=ZOqMy0_1KeM
Redundar, o que é isso? Gente vivendo;caminhando sem cabeça, será o nascer de um novo sentido? O por vim de algo já estalado ou uma simples ação de negação da vida de se mesmo.





A Santa e o Cofre...
Link - http://www.youtube.com/watch?v=P8KFPm44K7A
Com respeito à religiosidade do Povo e impugnação à instituição religiosa.







On-line, Uma Breve História no Tempo.
Link - http://www.youtube.com/watch?v=tWjGHDj1em0
A primeira distorção é a que fica. O vídeo retrata o levante dos trabalhadores de Maracanaú e Fortaleza, abafado pela mídia oficial.






PASSE QUANDO FICAR VERDE.
Link - http://www.youtube.com/watch?v=sbztbYPDKaw
O som do motor, uma cantiga, a faixa e a fronteira, a quem Pertence esse mundo?

terça-feira, 23 de junho de 2009

CD Poesia




CD POESIA

O momento é de paralisia, de “criatividade” ociosa, de “quase-entrega”, é a repetição da repetição, o inferno do imobilismo de Dante, a uniformização que pode ser confundida com a formação da identidade, mas que pode ser apenas mera conveniência, fuga, escapismo, imaturidade.
Aí, ouço algo tão doce e espontâneo que chega a ser agressivo a um ouvido já tão condicionado; e é perturbador porque não só entendo como sinto o que está sendo tratado. Sei sem que me digam explicitamente. Começo a gostar e sinto que muito do que eu me condicionei a escutar era por falta de opção.

***
Não são stalinistas para acusar de desvio burguês tudo quanto for experimentalismo e subjetivo e primar pela frieza plástica do panfleto, mas tampouco são adeptos do desvairismo, do desconexo, do sem sentido cultuado como método inconsciente de produção intelectual, arte - porra louca, “cult” e a visão sacra de que tudo que não possamos “entender” é profundo. Também não compactuam com a idéia de que a produção tosca seja admirável porque a natureza é de inconformista e de potencial contestatório.
O artificialismo e o conformismo de muitos “inconformados” é apenas uma maneira descarada de fugir de atividades que impunham dificuldade para serem realizadas.

Por Dorenildo


O projeto “POESIA” inicialmente se tratava apenas de um cd de música, mas hoje está complementado com nove vídeos realizados pela Armadilha Produções.
Sobre as músicas: Foi em 2002, quando me debrucei no vasto material da poetisa Yasmim. Durante oito meses trabalhamos, eu e ela, na escolha do repertorio. Todas as músicas são por excelência poesias, isso é um traço marcante dentro deste trabalho. Outra característica de igual importância é a sonoridade, esta nasce de um processo autodidata dentro da música, junto a este processo desenvolveu-se uma critica à música. É um trabalho autoral, impar, perante a mesmice que impera na expressão da militância política.

***
Em relação aos vídeos, tudo teve início após quatro anos de trabalho noturno no Mucurip Club. Onde viabilizei recursos para a compra de uma filmadora. Daí a realização dos filmes foi uma questão de tempo. Estes aqui apresentados foram realizados entre 2002 e 2005, e editados com dois vídeos cassetes e muita paciência. Fica registrada a ausência do filme “Bode Iôiô, O Cearense do século”, que noutra oportunidade será lançado.

***
Este CD não é algo separado da vida mesma, não é um corpo estranho à batalha pela sobrevivência. O retardamento no lançamento deste trabalho é devido às dificuldades que atravessamos, comuns aos que são desprovidos de grana e têm que “matar um leão a cada dia”. Só, agora, depois de muito tempo, lanço-o impulsionado pelo desejo de já tê-lo feito antes.
Os recursos obtidos com a venda deste CD serão revertidos para a minha sobrevivência e para as campanhas: “Rola Bosta, Não deixe a escola atrapalhar seus estudos, Outros olhares: Outra forma de ver o mundo e para a Armadilha Produções”.
Você que adquiriu este CD contribuiu para a resistência de um indivíduo na peleja de se fazer sujeito da história. Obrigado.


Por Apolo




A resenhas dos vídeos e links, na postagem da Armadilha Produções.



As Músicas

1- Apelo Imediato.
Video Clip


2- Percussor.

3- Nada Que e Visto a Olho.

4- As Pernas se Abraçaram.

5- Cinzas.

6- Sonata Silenciosa.
vídeo clip


7- Ultra Triangular.

8- Saída.

9- Compras.

10- Cerca Elétrica.

11- Editorial 23.

12- Prumdom.

13- Corrro, Corrooooo.

14- O Silencio.

15- Teus Olhos.

16- Galinha.

17- Ravachol.

18- Tumulo Florido.

19- Fundo do Mar

20- Vaguidão.

21- Fibra Ótica Editada.

22- Cantiga.


Informações sobre o CD: ( 9 )Vídeos no formado Divx, ( 22 ) Músicas no formado Mp3, + encarte

PARA MORTE DO ARTISTA.


“Um pensamento que desagrega e que à sujeição exalta, prega. Cultura que se apropria da totalidade para propagar a passividade pegando a vida e destroçando em partes dando a cada uma um nome, uma delas é a arte.”


A vida imita a arte? Quantas vezes você já ouviu essa frase? O que há de inocente nela? Nada, garanto.
A arte é concebida hoje no mundo ocidentalizado como algo separado da vida vivida. Pode existir, ou melhor, é digna de existência uma vida não vivida?
Privilégio dos especialistas, dos senhores artistas, a arte da forma que concebida torna-se um aparelho de dominação dos mais sofisticados. Ou a vida não imita arte? Quando a essa perspectiva de que ai esta de compreender a arte como forma de expressão separada da vida, entende-se, por conseguinte a vida separada da arte. Essa visão surgiu, ou melhor, construi-se numa determinada cultura. Como exemplo reflita sobre o que foi dito pêlos primeiros “descobridores” (ocupantes) ao chegar a essas terras habitadas por nativos, de pele e nariz bem feitos que andavam nus:

- Aqui não há teatro, essa gente não conhece teatro.

De fato, os nativos dessas terras há quinhentos anos ocupadas não conheciam o teatro, pois teatro para o europeu “ocidentalizado” significa justamente a separação da arte da vida, sendo o teatro uma estrutura de madeira e ferro ou pedra onde separada da vida mesma, nascia a arte, só lá poderia nascer parida por algum artista.

Para a morte do especialista em arte – o artista – precisamos destruir o que fundamenta a razão de sua existência, a arte, que só é arte quando separada da vida mesma, quando não só é vida.

“Abaixo a arte que faz com que suportemos uma vida que não merece ser vivida”.
Por Apolo

O QUE É MÚSICA?

Interlude No.1 from Nina. on Vimeo.


COMO PODERÍAMOS RESPONDER ESSA PERGUNTA? BEM, SE PERGUNTÁSSEMOS PARA UM MATEMÁTICO, CERTAMENTE, DIRIA: “É MATEMÁTICA”; PARA UM FÍSICO, “É VIBRAÇÃO DE MOLÉCULAS”;PARA UM CAPITALISTA, “MERCADORIA”.


O desenvolviomento da Música.


Refazendo os caminhos da música ocidental...
Poderíamos dizer que ela principia a partir dos cantos gregorianos. Portanto, podemos considerar como seu “berço” a Igreja.
Um marco em seu desenvolvimento é a obra de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Ele fora o precursor da escala que conhecemos hoje. Pitágoras (582-500a. c), com o seu legado, possibilitou a J.S.Bach desenvolver sua obra.
Em suas pesquisas, Pitágoras chegou à conclusão e, principalmente, a tradução da música em matemática. Ao esticar uma corda e fazê-la vibrar, percebeu um som; dividindo em partes iguais essa mesma corda e fazendo-a vibrar novamente, notou o som uma oitava abaixo.
Depois a física veio explicar esse fenômeno; dizendo que ele acontece pelo fato das moléculas vibrarem na mesma freqüência, diferenciando somente sua intensidade. A física chama isso de ressonância.
Seguindo esse raciocínio... Para obter-se um LÁ é necessário 440hz de vibração de moléculas. Vale ressaltar que a física apenas tardiamente veio a descobrir essa alternância.
J.S.Bach fora o Vigésimo sétimo músico de sua família composta de trinta e três outros, influenciado por uma forte tradição musical. Marcou não só a música, também a cultura ocidental como um todo, de forma decisiva. Para melhor entendermos é preciso compreender a música como extensão da vida e a vida como uma totalidade: A vida é a constante, contínua e mútua troca de energia. É o que se renova a cada instante.
Devemos inclusive saber que J.S.Bach era luterano e viveu em uma época onde a Igreja tinha maior poder social que nos dias atuais. Isso lhe impôs diversas limitações. Contudo, ele foi uma figura de desempenho decisivo na música ocidental por ter modificado a escala musical. Essa modificação deu-se durante a construção da escala quando retirou meio tom de Si e de Mi, fazendo da música ocidental um eterno retorno.
Ainda que você seja um bom pianista ou toque violão como ninguém, sempre estará preso numa cadeia de notas musicais bem cadenciadas; essa é a escala, tida como “natural” pela atualidade do mundo ocidental ou ocidentalizado. Esse motivo é preponderante para que a música ocidental possa ser descrita como um círculo.
Tal descrição lembra-nos Friedrich Nietzsche (1844-1900) que nos falou do “eterno retorno”. Nietzche, Bach e Pitágoras são personalidades ímpares porque através deles se flagra o desenvolvimento da cultura ocidental. A música nas demais culturas tem uma outra organização, o que se deve a própria concepção do mundo e da vida serem diferentes. Por exemplo, vejamos a música indiana: Enquanto a música ocidental é descrita como círculo a indiana, por sua vez, costumam descrever num formato espiral; o que, de certo, não torna uma melhor que a outra, mas faz delas diferentes entre si.
O desenvolvimento da música depende da cultura na qual ela esteja inserida.


A música dos diversos povos africanos possuía um outro tempo e sentido já que os mesmos desses povos eram diferentes.
No entanto, a história da humanidade é formada por uma série de fatos que poderiam e deveriam ter sido evitados... Culturas foram e são subjugadas, hora pela espada e cruz, outrora pela sociologia e o pensamento etnocêntrico.
Enfim, a música que hoje toca na radio é cúmplice de todo esse processo, o que, é claro, não significa que a música em si não possua potenciais de rebeldia, apenas estão adormecidos por um sistema muito bem arquitetado; sistema esse que transforma música que é matemática, moléculas em vibração, em mera mercadoria; trata-se do famoso “sistema capitalista”.
Os capitalistas são as pessoas interessadas em manter esse sistema que transforma tudo em mercadoria: saúde, amizade, educação, lazer, emoções, feijão, arroz, fé, desejo, amor, da mais simples a mais complexa expressão humana todo é transformado em mercadoria. Antes da música se transformado em mercadoria ela já servia a um propósito, a um fim. Por exemplo, os cantos gregorianos serviam aos propósitos da Igreja. Enquanto idéia mercadológica, a música serve ao maior


intento do mercado que é sempre a obtenção do lucro;
essa é a razão de ser do capitalista e do próprio capital.
Nos últimos cem anos surgiu e vem aprimorando-se uma técnica, que o capital viu como um campo a ser explorado economicamente e uma obrigação notória de controle político: a indústria cultural. A indústria cultural é uma técnica para a formação dos indivíduos, junto com alguns aparelhos que compactuam dos mesmos interesses políticos, econômicos e de classe social. Dentre outras coisas possibilita a criação da identidade nacional.
Em crise recente das Organizações Globo o governo liberou uma quantia significativa de recursos. “As Organizações Globo fazem parte da identidade nacional", afirmou o governo, na ocasião. Mas o que não é dito é que as mesmas não só fazem parte, assim como também fabricam a identidade nacional, moldam costumes e abduzem. A indústria cultural não se restringe a uma expressão específica; não abrangendo apenas as novelas ou só a música, também todo o campo de produção artística.
Fazem parte da atuação da indústria cultural: o cinema, a música, as novelas, o teatro, as artes plásticas, a moda, os centros culturais e seus programas de formação de platéias, todo e qualquer bem cultural. Ou seja, a indústria cultural atua num campo infinito de possibilidades. Cumprindo um papel fundamental: o de formar indivíduos, é claro, seguindo as diretrizes que o mercado traça.
É de sua responsabilidade o aparecimento de bandas como "Rouge", "Bross", os movimentos de rock que, às vezes, surgem; pela saia da Sabrina, pela sandália da Darlene.
O quê a indústria cultural faz é determinar aquilo que cada um deve gostar ou não. Ela programa o que vestiremos no próximo verão, a cor da moda, a música que irá enlouquecer os foliões no carnaval etc. A música atual, está num mar revolto de confusões, em meio às “Eguinhas Pocotó”, Radcare, música clássica, passando pelo forró.
Tudo está amarrado pelo cordão umbilical da indústria cultural. É uma relação de Deus e Diabo!
Aos apreciadores e futuros músico (aqueles que tocam e cantam música), fica a responsabilidade de refletir a realidade em que ela se encontra; realidade essa que é fruto do seu próprio desenvolvimento e de contextos históricos.
Cabe a todos nós a missão de despertar a criticídade da música em todos os seus aspectos e sermos transformadores da realidade em que vivemos.
Por uma música que seja extensão da vida!
E que nossa vida mereça ser vivida!


Por: Apolinário Alves.